A vida

by - 10:48

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Diante dos acontecimentos percebi quão efémeros somos, compreendi que somos representações deturpadas que enfrentam a morte como uma ameaça e não como libertação, pois desde do momento da fecundação milhões de outras vidas morreram para que uma venha a existir, durante a gestação existem riscos, entretanto quando chegamos a uma certa idade nos damos ao direito de perceber as batalhas diárias que são notoriamente travadas, o paralelo de morte e vida estão presente desde o primórdio da humanidade, o que remete ao nosso redor.
Digamos que somos um dente-de-leão, que diante de uma leve brisa se desfaz pela manhã de uma bela flor e a tarde murchamos. De nada vale palavras que se desfazem tão rapidamente quanto nossa vida, as promessas não resistem a instabilidade, existindo uma paisagem imagética de nuvens passageiras no vasto céu onde as vidas se desenrolam e problemas são solucionáveis, tendo um resquício chance de encontrar um propósito, uma razão concreta para mover o sentido da vida, quiça? Que o inicio da morte predispõe a vida, que está baseada em um sistema cruel onde tudo é artificial como criaturas vivendo em função de uma ditadura, onde tudo é manipulável para o bem de um que tem em mente o puro interesse de aumentar o seu patrimônio sórdido e incalculável.

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